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DOIS TERÇOS DAS EMPRESAS DO CLUSTER DO MOBILIÁRIO E AFINS PREVEEM RECORRER AO LAY-OFF SIMPLIFICADO
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DOIS TERÇOS DAS EMPRESAS DO CLUSTER DO MOBILIÁRIO E AFINS PREVEEM RECORRER AO LAY-OFF SIMPLIFICADO

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Uma em cada três empresas estima quedas de faturação superiores a 50%, no ano de 2020

  • Um inquérito conduzido pela APIMA – Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins, junto dos associados, revela que, no final do mês de março, 44% das empresas do cluster tinham interrompido a laboração.
  • Ao longo do próximo mês, a percentagem de empresas em regime de lay-off, parcial ou total, deverá atingir os 66%.
  • 70% das empresas inquiridas estima perdas de faturação superiores a 50%, já no mês de abril.

    As conclusões do inquérito, que procurou perceber o impacto da pandemia da COVID- 19 na atividade económica do cluster, são, de acordo com Gualter Morgado, diretor executivo da APIMA, «preocupantes. Historicamente, sabemos que estes setores são dos mais lentos a assegurarem a retoma, tendo em conta que os bens que produzem não são de primeira necessidade».

    Neste sentido, a APIMA clama por «uma estratégia e medidas de apoio a médio e longo prazo, que permitam fazer face ao esforço de tesouraria realizado no imediato». Simultaneamente, o diretor executivo da Associação aponta correções urgentes às medidas disponibilizadas: «É fundamental que a Banca e as demais entidades envolvidas facilitem o acesso às linhas de financiamento anunciadas, quer ao nível das garantias, quer, sobretudo, das taxas de juro, que se encontram a níveis inaceitáveis, face à atual conjuntura.»

    As principais dificuldades sentidas pelas empresas inquiridas prendem-se com a diminuição das encomendas (88%), problemas na cadeia de distribuição (60%) e nos fornecimentos (45%). Paralelamente, 42% dos auscultados revelam ter sido prejudicados pelo cancelamento de eventos, como é exemplo o Portugal Home Week, principal evento da Fileira Casa Portuguesa.

    Fruto destas dificuldades, um terço das empresas revela perdas superiores a 50%, já no mês de março, em relação ao período homólogo. Em abril, 21% dos inquiridos estima quedas de faturação na ordem dos 25%, com 70% a calcular uma descida superior a 50%. No que concerne às previsões anuais, apenas 4% estima perdas até 10%, com quase dois terços das empresas inquiridas a expectarem uma redução de 25% e cerca de 30% a calcularem uma queda superior a 50%, face ao ano de 2019.

    Para responder ao impacto da pandemia, a esmagadora maioria das empresas pretende recorrer às medidas de apoio anunciadas pelo Governo, nomeadamente ao lay-off simplificado (66%), à flexibilização fiscal e contributiva (62%), às linhas de crédito (48%) e à moratória aos créditos bancários (6%).

Os resultados do questionário demonstram, ainda, que a maioria das empresas (93%) encontra dificuldades na interpretação e no acesso aos mecanismos de apoio. Para fazer face a esta carência, a APIMA tem vindo a promover a realização de um ciclo de webinares, com a participação de especialistas nas diferentes áreas abrangidas, nomeadamente da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), das sociedades de advogados PLMJ e Nuno Cerejeira Namora, Pedro Marinho Falcão, bem como das empresas PwC e XC Consultores.

O inquérito foi promovido pela APIMA junto do universo de Associados, composto por cerca de 200 empresas, entre os dias 23 de março e 7 de abril.

O cluster do mobiliário e afins é um dos mais exportadores da economia nacional, com cerca de 90% da produção a ser destinada ao exterior, em particular aos mercados francês e espanhol. Em 2019, os setores que o compõe, que totalizam 4 500 empresas e 31 000 trabalhadores, atingiram um valor recorde de exportações, superando os 1,9 mil milhões de euros.

Sobre a APIMA

A APIMA (Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins) é uma associação empresarial sem fins lucrativos, criada em 1984, de direito privado e âmbito nacional, sediada no Porto. A Associação tem como desígnio representar as empresas do setor e promover o desenvolvimento de condições que aumentem a sua competitividade nacional e internacional.

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