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Novos Créditos Habitação: Irão Afetar os Jovens de Lousada?

por S. Ferreira Rafael Telmo
Novos Créditos Habitação: Irão Afetar os Jovens de Lousada?

Como podem as novas medidas do Banco de Portugal afetar o futuro dos jovens de Lousada, o concelho mais juvenil da região do Tâmega e Sousa?

O Banco de Portugal lançou recentemente um comunicado com novas recomendações relativas aos prazos de pagamento do crédito habitação. Este não é de todo um tema recente, já que estas recomendações foram inicialmente propostas em 2018, com o objetivo de reduzir o prazo médio de pagamento dos créditos habitação para mais perto dos 30 anos até ao final de 2022.

Associada a esta redução nos prazos de pagamento está claro o aumento das prestações, que podem dificultar o acesso aos jovens que pretendem adquirir casa com recurso a crédito e têm mais de 30 anos de idade. Isto claro, a juntar ao crescimento do preço dos imóveis que se tem vindo a sentir nos últimos tempos.

Mas afinal, o que irá mudar para estes jovens?

A partir de 1 de abril de 2022, serão implementados novos tetos máximos que se ajustam de acordo com a idade do mutuário. Embora exista ainda o prazo máximo de 40 anos, este está apenas ao alcance de pessoas com idade igual ou inferior a 30 anos.

As grandes diferenças serão sentidas por quem se encontra na faixa etária superior, entre os 30 e os 35 anos de idade, onde o prazo máximo de pagamento é agora de 37 anos

Para todos aqueles que se encontrem acima dos 35 anos de idade, o prazo máximo irá fixar-se nos 35 anos.

É importante ter em conta que nem tudo são más notícias já que, apesar de pagar um pouco mais pela sua prestação, o prazo de pagamento mais reduzido resulta num crédito mais barato, ou seja, num Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) mais reduzido. Isto acontece porque estará a diminuir o pagamento dos juros à entidade bancária em alguns anos.

Para além da redução do pagamento de juros, um prazo mais reduzido irá ajudar a mitigar o risco de prolongar demasiado o empréstimo da sua habitação acima da idade da reforma, já que é nesta altura que existe uma diminuição dos rendimentos mais acentuada.

A verdade é que para quem se encontra numa situação financeira mais instável, este aumento da prestação pode realmente ter um peso negativo na hora de escolher o melhor crédito habitação, já que pode afetar o indicador da taxa de esforço, que não deve exceder os 35%.

Como amenizar os impactos das novas recomendações?

Se está a pensar comprar um imóvel com recurso a crédito habitação, as dicas que se seguem podem ajudá-lo a encontrar e negociar melhores condições:

Aumente o valor da entrada inicial

Como as medidas que visam encurtar os prazos máximos de pagamento vão causar um aumento dos seus encargos mensais com o seu crédito habitação, considere aumentar o valor da entrada inicial.

Desta forma, irá conseguir reduzir o montante financiado pela entidade bancária, o que resultará numa prestação mensal mais baixa.

Não aceite a primeira proposta, compare várias!

Sim, escolher a primeira proposta do banco onde tem conta há vários anos pode não ser a melhor decisão para a sua carteira.

Se está a pensar comprar casa, esta pode ser a melhor altura para obter várias propostas de crédito habitação, já que estas alterações podem criar uma maior competitividade entre as diferentes entidades financeiras, e pagar mais pelo seu crédito não é opção.

O crédito habitação é um tipo de empréstimo de longo prazo, como tal, a mínima variação na sua prestação mensal pode facilmente resultar num acréscimo de milhares de euros no final do seu contrato.

O spread não é tudo…

É bastante comum comparar várias simulações olhando apenas para o valor do spread contratado. Um grande erro!
Na verdade, deverá focar-se na análise da Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG), já que é esta que dita o custo total do seu crédito habitação, incluindo todos os juros e comissões do mesmo.

Bonificações mascaradas, não são bonificações!

As tão conhecidas bonificações de spread que as entidades bancárias garantem através da subscrição de produtos adicionais como cartões de crédito, seguros e em alguns casos aplicações a prazo, nem sempre são a melhor opção.

É fundamental conhecer e avaliar ao detalhe cada proposta, como tal, tente sempre analisar as duas versões da proposta, uma com este tipo de bonificações e outra mais simples, mesmo que isso implique subscrever os seguros obrigatórios numa outra instituição.

Estas são medidas que vieram para ficar, e que podem vir a sofrer mais alterações no futuro. Se está enquadrado numa das faixas etárias onde existem mais mudanças pode ser uma boa oportunidade avançar com o seu pedido de crédito antes do dia 1 de abril.

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